Limites do Fisco: O Projeto de Lei e a Segurança Jurídica em Goiás
Tramita na Assembleia Legislativa de Goiás (ALEGO) um projeto de lei que visa proibir a apreensão e a remoção de veículos motivadas exclusivamente pelo atraso no pagamento do IPVA. A proposta fundamenta-se no princípio constitucional da não utilização de tributo com efeito de confisco, impedindo que o Estado utilize o poder de polícia para coagir o contribuinte ao pagamento. O texto estabelece que a fiscalização deve se restringir a infrações de trânsito que comprometam a segurança, desvinculando a regularidade fiscal do direito de circulação do proprietário.
Contudo, é necessário criticar a potencial fragilização da arrecadação estadual que tal medida pode provocar, uma vez que o IPVA é uma fonte vital para investimentos em infraestrutura e saúde. A ausência de uma sanção imediata pode desestimular o pagamento em dia, gerando uma desigualdade injusta com o cidadão que mantém suas obrigações fiscais rigorosamente quitadas. É perigoso que medidas populares camuflem uma futura deficiência nos serviços públicos, que dependem diretamente desses recursos para funcionar com mínima eficiência e qualidade.
A discussão ganha relevância em um cenário de recuperação econômica, onde muitos proprietários utilizam seus veículos como ferramenta de trabalho essencial para o sustento familiar. O projeto defende que o Estado possui meios legais e judiciais, como a inscrição em dívida ativa e a execução fiscal, para cobrar os valores devidos sem privar o cidadão de seu bem. Equilibrar a necessidade de receita pública com a proteção ao patrimônio privado é o cerne deste embate legislativo que atrai a atenção de motoristas em todo o estado de Goiás.
Em última análise, essa proposta nos convida a refletir sobre os limites do poder estatal e a hierarquia de valores em uma sociedade democrática. O veículo, muitas vezes, representa a dignidade e a autonomia do indivíduo, e sua perda por questões meramente financeiras levanta dúvidas sobre a proporcionalidade das punições administrativas. Que o debate na ALEGO resulte em uma solução que respeite o dever fiscal, mas que nunca coloque a arrecadação acima dos direitos fundamentais e da sobrevivência econômica de cada cidadão goiano.


