Justiça manda soltar dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
TRF-1 substitui prisão preventiva por medidas cautelares
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou, nesta sexta-feira (28), a soltura de Daniel Vorcaro, fundador e ex-controlador do Banco Master. A decisão também alcançou outros quatro executivos da instituição financeira. Embora a liberdade tenha sido concedida, eles continuarão monitorados e deverão cumprir uma série de restrições.
A desembargadora responsável entendeu que, apesar da gravidade das suspeitas, as prisões não eram mais necessárias para garantir o andamento da investigação. Além disso, a magistrada avaliou que medidas alternativas seriam suficientes para impedir qualquer risco de fuga ou interferência no processo.
Medidas impostas pelo tribunal
Com a decisão, Vorcaro e os demais investigados passaram a usar tornozeleira eletrônica. Além disso, tiveram os passaportes retidos, foram proibidos de manter contato entre si e não poderão deixar o município em que residem. Como consequência direta, também ficaram impedidos de atuar no setor financeiro durante o curso das investigações.
Essas determinações representam uma forma de vigilância mais rígida, mas menos extrema que a prisão preventiva. Ainda assim, as investigações seguem em ritmo acelerado.
Como começou o caso
A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, foi deflagrada no início de novembro. O grupo é suspeito de estruturar um esquema bilionário envolvendo emissão de títulos de crédito sem lastro, manipulação de informações financeiras e negociações de carteiras irregulares. De acordo com estimativas iniciais, o rombo pode alcançar valores expressivos.
Durante as buscas, a PF apreendeu bens de luxo, incluindo um jato avaliado em cerca de R$ 200 milhões, além de obras de arte e quantias em espécie. O Banco Central, em seguida, decretou a liquidação extrajudicial da instituição, o que encerrou todas as operações do conglomerado.
Por que a prisão foi revista
A defesa argumentou que os investigados não ofereciam risco concreto à ordem pública e que os elementos do processo poderiam ser analisados sem necessidade de mantê-los presos. Após reexaminar o cenário, a desembargadora concordou que a manutenção da prisão não atendia mais aos requisitos legais.
Apesar disso, o tribunal reforçou que as suspeitas continuam sob investigação e que o avanço das apurações poderá resultar em novas medidas judiciais, dependendo das provas coletadas.
Impactos para o mercado e para os credores
A queda do Banco Master causou forte impacto no sistema financeiro. Muitos credores ainda aguardam definição sobre o futuro dos recursos aplicados. Embora a apreensão de bens tenha sido ampla, ainda não há previsão de quanto poderá ser recuperado.
Mesmo assim, especialistas consideram que o caso servirá de alerta para investidores e órgãos reguladores, sobretudo porque expõe falhas de governança e fragilidades nos mecanismos internos de controle.
Próximos passos
As investigações continuam e, nos próximos dias, os executivos deverão prestar novos esclarecimentos. O Ministério Público analisa documentos, movimentações financeiras e contratos firmados pelo banco antes da liquidação. A partir disso, poderá oferecer denúncia formal contra os suspeitos.
Enquanto isso, o mercado acompanha cada etapa com atenção, já que o episódio se tornou um dos maiores escândalos financeiros do ano e pode influenciar debates sobre transparência, supervisão e responsabilidade institucional no sistema bancário brasileiro.


